Alerta, Curiosidades Biológicas.

Outras espécies invasoras no Brasil.

Causadoras de problemas sociais e ambientais, algumas espécies exóticas são consideradas invasoras – ou seja, segundo a Convenção Internacional sobre Diversidade Biológica, estão fora de seu habitat natural e ameaçam outros ecossistemas ou outras espécies, passando a exercer dominância em ambientes naturais. Há diversos séculos, por diferentes formas, essas espécies são introduzidas em ecossistemas do mundo todo, até mesmo na Antártida, onde sementes levadas inadvertidamente por turistas e cientistas ameaçam o já frágil ecossistema da região.

No Brasil, a situação não é diferente: várias espécies invasoras, introduzidas por diversas razões, desde econômicas até pelo trânsito de navios na costa do país, podem causar danos sociais e ambientais, como liberação de toxinas e alto consumo de água em regiões marcadas pela seca. A seguir, saiba mais sobre 10 espécies exóticas de animais, algas e plantas presentes no País, como os locais onde estão presentes e os problemas que podem acarretar.

Lírio-do-brejo
Nativo da Ásia, o lírio-do-brejo, com nome científico de Hedychium coronarium, foi introduzido no Brasil como planta ornamental, e foi rapidamente difundido pelo País inteiro, especialmente nas regiões Sul e Sudeste. Com grande capacidade de resistência, a planta se adapta facilmente às margens de lagos e espelhos d’àgua. O lírio-do-brejo pode, além de invadir canais e riachos e entupir as tubulações de hidrelétricas, causar outros problemas.

“Ele foi introduzido propositalmente, sendo uma espécie que brota facilmente e tem grande capacidade de resistência. Por não conviver com outras espécies, a planta expulsa as plantas nativas de seu habitat, sendo um problema bem grave, especialmente nas regiões de floresta atlântica”, explica Sílvia Ziller, engenheira florestal e fundadora do Instituto Hórus, especializado em espécies invasoras.

Nim
Com um grande potencial de invasão, a Azadirachta indica, mais conhecida como nim, é nativa da Índia e foi distribuída em diversos países, especialmente em regiões de clima árido, sendo encontrada especialmente no nordeste brasileiro. “É uma planta usada no controle de pragas, sendo disseminada por morcegos e tendo um potencial de invasão muito grande. E como foi distribuída sem nenhum cuidado, com pouco controle, por volta dos anos 2000, ela consegue realizar uma destruição avassaladora de espécies nativas”, lamenta Sílvia Ziller engenheira florestal e fundadora do Instituto Hórus.

Algaroba
Tendo diversos sinônimos, entre eles o nome científico Prosopis juliflora, a algaroba é natural de regiões áridas e semiáridas dos Estados Unidos e México, e foi introduzida no Brasil especialmente na caatinga nordestina, como forrageira para cabras. Causa problemas como invasão de pastagens e desgaste dos dentes dos animais. Sem poder se alimentar, os animais morrem mais cedo.

“Como as cabras comem as flores, que têm resinas, são muitas as queixas de que o animal acaba morrendo antes do tempo normal. Além disso, a algaroba tem raízes mais profundas, o que gera um aprofundamento do lençol freático, consumindo muita água justamente em regiões áridas”, afirma a engenheira florestal Sílvia Ziller.

Braquiária
Presente em pastagens de todo o País, a braquiária (Urochloa brizantha) também conhecida como capim-marandu, foi introduzida, durante o século XX, nos solos brasileiros, após a importação de sementes originárias do continente africano. “É uma espécie que tem um impacto bastante forte: áreas imensas de vegetação original no cerrado, por exemplo, foram substituídas pela braquiária. E isso ocorre pelo seu vigor muito grande de retorno: você elimina e ela nasce de volta rapidamente. Essa espécie foi introduzida com finalidade econômica, mas foi semeada sem nenhuma análise”, destaca Sílvia Ziller.

Tilápia-do-nilo
Nativa da região do rio Nilo, no Egito, a Oreochromis niloticus, mais conhecida como tilápia-do-nilo, foi introduzida no Brasil desde o século XX, bem como em diversos países com água tropical. Por sua grande capacidade de reprodução e comportamento onívoro, alimentando-se de plantas e outros animais, a tilápia-do-nilo é considerada uma grande predadora. “É um peixe que tem um histórico de extinção de outras espécies, sendo um problema muito grave em diversos países africanos e asiáticos. Muitas vezes, as pessoas acham que estão fazendo uma coisa boa ao introduzir esses peixes nos rios, mas eles passam a exterminar espécies nativas”, afirma Sílvia.

Aedes Aegypti
Conhecido por ser o vetor da dengue, o mosquito Aedes aegypti é próprio de regiões tropicais e subtropicais, originário da Etiópia e do Egito. Chegado ao Brasil durante a escravidão, se reproduz principalmente em recipientes artificiais onde ocorre acúmulo de água, como latas e vasos. Apesar de ser frequentemente associado a doenças, o mosquito nem sempre está contaminado, podendo também não representar um perigo em todos os casos. “O mosquito pode não ser sinônimo de mortes e prejuízo, pois o Aedes pode ser vetor da dengue, mas nem sempre está contaminado com a doença. A mesma coisa ocorre com os seres humanos: nós todos somos vetores de doenças, mas não estamos necessariamente contaminados”, compara a engenheira florestal.

Abelha africana
Introduzida em todo o Brasil por iniciativa governamental, a fim de aumentar a produção de mel do país, a Apis mellifera, também chamada de abelha africana, espalhou-se rapidamente por toda a América do Sul. Facilmente adaptável a diversos ambientes, desde florestas temperadas até savanas, a abelha africana é considerada uma espécie bastante agressiva. “Ela expulsa as espécies nativas, como o tucano e a arara, de seus habitats, passando a ser um mega problema. Por ser muito difícil de controlar, ela gera uma consequência ambiental e social especialmente grave”, afirma a engenheira florestal e presidente do Instituto Hórus Sílvia Ziller.

Coral-sol 
Com nome científico de Tubastraea coccínea, o coral-sol foi introduzido em pontos da costa brasileira, especialmente em regiões portuárias, como Itajaí (SC) e São Sebastião (SP), também pelo sistema de água de lastro, a água do mar com a qual são carregados os porões dos navios. Originário da região ocidental do oceano pacífico, o coral-sol é um dos corais mais comercializados do mundo, e é considerado muito competitivo, por apresentar substâncias químicas nocivas e se reproduzir rapidamente. “O coral-sol vai crescendo em rochas e embaixo d’àgua, expulsando qualquer outra espécie que possa se fixar no lugar, além das espécies nativas. Por isso, pode causar um impacto grande”, destaca Sílvia.

Tartaruga-tigre-d’àgua e tartaruga-americana
Nativa do Rio Grande do Sul, a tartaruga tigre-dàgua (Trachemys dorbigni) passou a ser vendida em todo o País, cruzando com a tartaruga-americana (Trachemys scripta), originária dos Estados Unidos. Dessa forma, foi gerada uma terceira espécie, resultado do cruzamento entre as tartarugas gaúcha e americana. “Quando começou a ser vendida em todo o País, a Trachemys dorbigni virou invasora, pois as pessoas em geral não sabem o tamanho que ela atinge quando adulta, e acabam se assustando e soltando o animal.

Essa espécie também vive muitos anos, podendo até morrer depois dos seus donos. Quando solta, ela compete com espécies nativas e, com o cruzamento entre as duas tartarugas e o surgimento de um terceiro tipo, ela tende a ter menos predadores, pois agora existem três espécies”, ressalta Sílvia Ziller.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s