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O processo de desertificação da Amazônia

DESERTIFICAÇÃO E AMAZÔNIA

                      

DESERTIFICAÇÃO E AMAZÔNIA

Quando escutamos a palavra Amazônia, vem-nos logo à imaginação e mundo exuberante de água e mata virgem, povoado de toda a espécie de animais terrestres e aquáticos, além de um sem fim de visagens, encantados, mães de água, curupira, matinta-perera… Então porque falar de desertificação num mundo como este?
Essa realmente é a realidade de uma Amazônia primeira, indígena, pré-colombiana. Os povos indígenas estabeleceram, em sua sabedoria e interação com o meio, um equilíbrio, que sempre respeitou o frágil equilíbrio ambiental amazônico.
Quando cheguei no Brasil e fui enviado para a Amazônia, eu tinha a mesma idéia que muito gente tem sobre este lugar. Aqui tudo parecia grande, robusto, eterno. Muita água, muita mata, imensidão de verde impossível de se acabar. Mas ao adentrarmos dentro do coração e dos mistérios destas terras descobrimos como isso é errado e como toda esta exuberância é efêmera e impotente diante da ganância e do lucro. Descobrimos como a sabedoria dos pobres indígenas estava certa ao estabelecer guardiões, os encantados, destas matas e rios: Para se cortar ima árvore tem que se pedir licença. Para entrar na água tem que se conversar com a mãe d”água a ver se não estamos perturbando…
Na cultura amazônica a mata, os rios, os peixes, os animais não pertencer ao ser humano. As criaturas co-existem com o ser humano, não numa relação de posse e apropriação, mas numa relação de inter ajuda: precisamos uns dos outros para sobreviver. O respeito deve ser mútuo. Os encantados das matas e das águas é que são os verdadeiros donos.
Desta profunda integração e profundo respeito, toda a humanidade recebeu como herança esta imensidão, esta benção chamada Amazônia. Mas recebemos como herança um mundo frágil, que se não for cuidado vira deserto.
A Amazônia se auto-alimenta, se reproduz através de um ciclo vital de morte vida. As folhas que caem, as árvores que morrem, vão alimentando a floresta. O calor e a umidade fazem o restante. No entanto quando a cobiça entra em campo, este equilíbrio se rompe. O que era exuberância de vida, vira deserto. Muita gente estará perguntando: como isso é possível.
Basta entrar na floresta para entender. A capa de vida que alimenta todo este ciclo é tão fina, que quando se retiram as árvores, basta uma chuva para levar toda a terra fértil e ficar só areia. É por isso que podemos falar de desertificação na Amazônia.
Já existem áreas enormes tão degradadas, que são pura areia. O ciclo de desertificação da região já começou há muitos anos atrás. Podemos dizer que começou com a entrada dos primeiros colonizadores e se agravou drasticamente com as grandes serrarias, as mineradoras, a monocultura e agora com o agro-negócio. Como vemos, a destruição do meio ambiente na Amazônia, está vinculada historicamente à exploração econômica descontrolada da região para atender o mercado mundial, com a exploração de mão de obra, a mínima retenção de riqueza na região e a não formação de um mercado interno.

Quando você olha esta região lembra de um determinado livro intitulado “Tristes Trópicos”. Tristes não pela gente que vive aqui, que é bela e alegre. Tristes pela concentração de renda e de riqueza, que deixa a população entregue à sua própria sorte. Tristes pela crescente concentração da população em poucas grandes cidades, tristes pela es fragilidade, diversidade e relativo desconhecimento dos distintos ecossistemas da região e pela exploração predatória dos recursos naturais.

Como já dissemos acima, a destruição do meio ambiente na Amazônia está vinculada historicamente à exploração econômica descontrolada da região para atender o mercado mundial. Esta situação se agravou com o progresso nos meios de transporte e com a introdução de tecnologia avançada na produção, em especial na agricultura e na pecuária extensiva. O grande problema hoje na Amazônia se chama: Soja. Já tivemos o ciclo da borracha e sua riqueza efêmera, o ciclo, que permanece, dos minérios, e agora vivemos o ciclo mais ameaçador: o da soja.

A demanda internacional por soja, para alimentar a pecuária de corte e os programas estatais de pesquisas agrícolas no Brasil formaram a combinação explosiva que está GERANDO A DESERTIFICAÇÃO DA AMAZÔNIA, no momento atual. É verdade: este processo já começou.
O programa estatal de pesquisa agrícola se direcionou para a agricultura de exportação e não para a agricultura de subsistência, e os programas de crédito financiaram a utilização intensiva de agrotóxicos e a mecanização em especial da lavoura da soja. Este programa louco levou à utilização do cerrado do Centro Oeste e de áreas da Amazônia com grave prejuízo ambiental.
A mão de obra expulsa da agricultura foi e continua sendo atraída para os centros urbanos que incham desorganizada e velozmente, dando origem ao tráfico de drogas e outros flagelos afins, além de todas as consequencias ambientais: populações tradicionais atingidas, florestas inteiras destruídas, poluição dos rios, crateras abandonadas por mineradoras no meio das florestas, prostituição infantil e juvenil.

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4 comentários em “O processo de desertificação da Amazônia”

  1. Nossa, o texto é extremamente interessante e triste por saber a dimensão inconsequente que a desertificação da Amazônia anda causando por lá.Se cada um fizesse sua parte como cidadão o mundo não estaria no caos em que se encontra no momento.Precisamos de pessoas como você. Obrigada. =)

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